quinta-feira, 10 de julho de 2014

Wendell Estol - Presidente do Instituto Sea Shepherd do Brasil

Abril de 2011, Por Sebastian Diano Alcalde, 3° Semestre, não-bolsista do PET/Turismo-FURG

Nosso entrevistado deste mês, Wendel Estol, é Presidente do Instituto Sea Shepherd do Brasil - Guardiões do Mar, é Professor de Ciências Físicas e Biológicas, Zoologia Aplicada a Conservação das Espécies Animais. Possui Graduação em Gestão Ambiental pela FGV - Fundação Getulio Vargas.

1. Podemos considerar o turismo como uma atividade sustentável?

Se for considerada simplesmente como atividade econômica não. Porém, vejo no turismo, quando considerado o tripé sócio-economico-ambiental, uma atividade com grande tendência a ser sustentável. Em linhas gerais quando projetos de desenvolvimento do turismo, em certas regiões, abrangem a conservação ambiental criam-se as condições para que este seja sustentável. Como exemplo, podemos citar Bonito/MT, onde, para desenvolver o turismo, de alto rendimento econômico e de abrangência da comunidade local, foi necessário um grande investimento na conservação de seu patrimônio natural.

2. Qual a sua opinião sobre as atividades de turismo sustentável na região costeira do Rio Grande do Sul?

Penso ser esta uma das soluções para o desenvolvimento socioeconômico do litoral do Rio Grande do Sul. O grande desafio deste modelo será desfazer uma cultura quase centenária de que nosso litoral é um local para ser explorado durante 60 dias do ano, e que fora o período de veraneio, o litoral é um local ermo e sem atrativos.

3. As atividades turísticas estão causando impactos negativos no meio ambiente na região costeira do Rio Grande do Sul?

Neste modelo do século passado em que insistimos em tentar remendar, sim. Repito, este é um modelo quase extrativista, colonial, onde vamos ao litoral para em 60 dias explorarmos tudo que pudermos, como se estando no litoral todas as ações, nocivas ao convívio social e ambiental e que normalmente os turistas não realizam durante o ano, estivessem liberadas e que as praias são um território de ninguém. Faz-se o que quiser, quando quiser e ninguém se importa, pois há um sentimento de tolerância, pois são apenas 60 dias.

4. A região costeira do município de Santa Vitória do Palmar tem potencial para desenvolver atividades de ecoturismo?

Por conta de minha profissão visito diversas praias do Brasil, e em minha opinião nenhuma delas reuni as condições e vocações naturais, para o desenvolvimento do turismo ecológico de alto rendimento, como o Município da Santa Vitória do Palmar reuni. Possuindo diversos ecossistemas ainda saudáveis e quase selvagens, o que é um atrativo aos praticantes de observação de aves, que em sua maioria são turistas europeus. Temos as questões paleontológicas únicas no Brasil, que atraem o bom turista, aquele com certo nível de consciência ambiental-social-histórica. Questões históricas envolvendo as disputas entre Portugal e Espanha. Naufrágios diversos que remontam inclusive a história política da região. Enfim, condições únicas no Brasil.

5. Que atividades está desenvolvendo o Instituto Sea Shepherd Brasil relacionadas com turismo sustentável no Brasil?

Penso que as ações do Instituto Sea Shepherd Brasil – Guardiões do Mar, não estão diretamente relacionadas com uma atividade específica. Nossas ações visam a conservação da vida marinha e seus ecossistemas, isto indiretamente contribui para as demais atividades, pois diversas atividades turísticas tem um ambiente saudável e equilibrado como matéria prima para sua atividade. Bem como a recíproca é verdadeira, onde hoje, o turismo é uma grande arma para a conservação ambiental.

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